
Hoje te quero nua, poesia!
De peito e pernas abertas,
Passiva, boquinha fechada,
E uma rosa entre os dentes.
Quero assim, apaixonada.
Com o sorriso no rosto,
Como o desejo do gozo,
Coberta de flores e ramas.
Não me diga de amores,
De mágoas ou dramas.
Venha branda, branca,
Sem métrica e escansões.
Quero sem nenhuma rima!
E que se dane a estética,
A tétrica, a obra prima,
E outras entonações.
Te quero de feitio simples.
De olhar relampejado,
Covinha na bochecha
E um sinal na buceta.
Não me diga de ontem,
De mim ou de outrem.
Faz cara de misteriosa,
De astuta, de jocosa!
Te quero no céu da língua,
Na ponta dos meus dedos,
No meio dos meus erros,
Fazendo parte da bagunça.
Dando a cara à tapa,
Lambendo da raspa
Mas sem perder a pose.
Te quero sem rótulos,
Despudorada, sem ética,
Sem bancar a hermética
Ou dar de moça dengosa.
Te quero assim, poesia,
Deitada na minha cama,
Pra eu te chamar de vadia
E fazer uma prosa gostosa.
2 comentários:
Adorei isso!
Muito bom.
Iriene Borges
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