Sou um mabembe da Londres do século XIX, paradoxalmente transgressor como Niemeyer, andando ao som de uma rabeca sertaneja parisiense, com um ar de fotógrafo pós-moderno, que se comporta como a torre de Piza.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Inversão dos Papéis.


Hoje te quero nua, poesia!
De peito e pernas abertas,
Passiva, boquinha fechada,
E uma rosa entre os dentes.

Quero assim, apaixonada.
Com o sorriso no rosto,
Como o desejo do gozo,
Coberta de flores e ramas.

Não me diga de amores,
De mágoas ou dramas.
Venha branda, branca,
Sem métrica e escansões.

Quero sem nenhuma rima!
E que se dane a estética,
A tétrica, a obra prima,
E outras entonações.

Te quero de feitio simples.
De olhar relampejado,
Covinha na bochecha
E um sinal na buceta.

Não me diga de ontem,
De mim ou de outrem.
Faz cara de misteriosa,
De astuta, de jocosa!

Te quero no céu da língua,
Na ponta dos meus dedos,
No meio dos meus erros,
Fazendo parte da bagunça.

Te quero num só close
Dando a cara à tapa,
Lambendo da raspa
Mas sem perder a pose.

Te quero sem rótulos,
Despudorada, sem ética,
Sem bancar a hermética
Ou dar de moça dengosa.

Te quero assim, poesia,
Deitada na minha cama,
Pra eu te chamar de vadia
E fazer uma prosa gostosa.

2 comentários:

Voz de Eco disse...

Adorei isso!
Muito bom.
Iriene Borges

Moniquinha disse...
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